Em Cartaz

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07/10/2015 00:00

 AGUARDANDO ITINERÂNCIA:  CORIOLANO

de William Shakespeare

 

Tradução: Fernando Nuno | Adaptação: Esther Góes e Ariel Borghi | Direção: Esther Góes
ATORES
Ariel Borghi (Coriolano) | Esther Góes (Volumnia) | Carlos Meceni | Joca Andreazza | Carlos Morelli | Ale Pessôa | Pérsio Plensack | Cacá Toledo | Josué Torres | Amanda Vides Veras | Jean Dandrah | Pedro Paulo Fermer

Iluminação: Domingos Quintiliano
Música Original: Miguel Briamonte
Cenografia: Fernando Brettas
Figurinos e Adereços: Márcio Vinicius
Coreografia de lutas cênicas: Nícolas Trevijano
Realização: Cia. Ensaio Geral Produções
DESCRIÇÃO

A plebe enfurecida nas ruas de Roma exige preços baratos para o trigo, o fim das leis de agiotagem e terras para cultivar. Seu ódio se volta especialmente contra Caio Márcio, patrício e militar que se opõe às suas reivindicações. A plebe obtém representantes no Senado, os tribunos do povo.
Os volscos atacam Roma. Caio Márcio se distingue na campanha, sitiando e tomando Coríolos, a principal cidade volsca. Retorna a Roma como herói de guerra, agora amado pelo povo, recebendo a coroa de ramos de carvalho e sendo denominado Coriolano por seus feitos. Os patrícios, instados por Volumnia, mãe de Coriolano, conduzem-no ao Senado para elegê-lo cônsul.
Os tribunos do povo insuflam a plebe e criam episódios de provocação nas ruas de Roma, para que Coriolano, fiel a suas ideias, reaja atacando os tribunos e a própria plebe.
Aproveitando o destempero das palavras ditas por Coriolano em praça pública contra a distribuição do trigo e a eleição dos tribunos, estes o denunciam e exigem sua condenação à morte na rocha Tarpéia, penhasco de onde se atiravam os condenados.
Em retumbante decisão no Fórum, com ampla participação popular, mas totalmente dirigida pelos tribunos e por seus asseclas, Coriolano é condenado ao exílio e banido de Roma. Os patrícios pouco podem fazer para impedi-lo e têm que se submeter.
Coriolano sai de Roma humilhado e vai para Âncio procurar Aufídio, seu principal rival na guerra contra os volscos, que já preparava outro exército para atacar Roma. Num episódio inesperado os dois se unem, e Aufídio transfere para Coriolano o domínio do ataque. O objetivo agora é não só tomar como também incendiar Roma, destruindo-a.
Os cidadãos romanos são surpreendidos com o ataque violento e eficaz dos volscos comandos por Coriolano e Aufídio e entram em desespero. O general Comínio e depois o patrício Menênio Agripa vão à procura de Coriolano, no acampamento volsco, para implorar por misericórdia. Coriolano, transfigurado e irreconhecível, apenas impõe impossíveis condições a Roma.
Finalmente, a mãe e a mulher de Coriolano o procuram para suplicar. Uma Volumnia reduzida a si mesma, sem a arrogância e a ilusão do poder patrício, se arrasta junto com Virgília diante de Coriolano e logra convencê-lo. Coriolano propõe a paz entre as duas nações.
Aufídio, sentindo-se aviltado diante de seus exércitos, denuncia Coriolano como traidor aos senadores volscos. Envolve-o em uma cilada e o faz ser morto diante deles.
Roma, no V século AC., um cenário de carência alimentar, irracionalidade, corrupção de alto a baixo, estruturas de poder em crise, mas inabaláveis. O presente e o futuro seguindo a mesma linha de contradições e acordos impensáveis. - com Ariel Borghi e Pérsio Plensack
Coriolano, militar e patrício romano do V século AC, tem uma trajetória de contradições. É corajoso e arrogante. É guerreiro e não aprecia aos pobres. Numa Roma em que o povo luta por melhores condições de vida, o protagonista se mostra contrário a reivindicações como um preço mais justo do trigo e terras para o cultivo.
Devido à sua postura, Coriolano é odiado por muitos cidadãos, mas ao vencer uma batalha contra os inimigos, é condecorado herói e indicado a um cargo ao senado. Um problema coloca, no entanto, a sua reputação em risco e acaba sendo condenado ao exílio.
Alia-se aos volscos para atacar Roma. À pedido de sua mãe e de sua mulher não concretiza a ação, mas não consegue escapar da fúria do povo e dos detentores do poder, que querem a sua morte. Não há heróis neste espetáculo. São seres humanos com as suas contradições morais e sociais.
Segundo a diretora Esther Góes e seu filho Ariel Borghi, que interpreta Coriolano, o que os levaram a escolher essa tragédia de Shakespeare, a última escrita pelo autor, foi a atualidade da obra, que fala entre outras coisas da ganância e corrupção.
¨Nossa escolha procurou reunir a lucidez do autor renascentista sobre o relato de Plutarco da vida de Coriolano, personagem entre a lenda e a História do V século AC, e o nosso olhar contemporâneo, diz Esther Góes, diretora, que também faz parte do elenco.
A linguagem do texto, com tradução de Fernando Nuno, é simples e a direção também optou pela simplicidade na condução das cenas.
¨Certamente William jogava com uma linguagem ao mesmo tempo poética e popular, e não se colocava acima dos espectadores. Por isso eu e Ariel adaptamos a tradução sublinhando ainda mais o colóquio, a compreensão e a profunda ironia desse texto, que requer aceitar sermos humanos e ter paciência com nossos erros,¨ conta Esther.
A plateia é a tropa romana, o povo em assembleia, o juiz, o cúmplice e antagonista durante o espetáculo, ¨e à qual remetemos nossas dúvidas, compartilhando nossas inseguranças sobre que mundo é este,
em que temos que viver desconfiados, em guarda, olhando em volta, sem saber¨, destaca a diretora.
 
com Esther Góes e Amanda Vides Veras
A questão social é uma balbúrdia impossível de ordenar. Estão em conflito classes e pessoas.
O estado sofre o impacto dos sentimentos e das traições mais previsíveis.
Os representantes da plebe de hoje serão os novos imperadores do futuro.
Possíveis cumplicidades ocorrem frequentemente dentro da mesma classe social.
A permanente sensação de insegurança de todos com todos percorre a atmosfera da cidade... 
Não há heróis neste espetáculo. Humanos nada mais que humanos. E a impressão de que William não quer mentir na sua décima e última tragédia.
No interior da personalidade do personagem Coriolano as contradições sociais e morais do seu tempo assumem a dimensão de um conflito avassalador. A relação com a mãe, Volumnia, faz de ambos um binômio indivisível, cujos fundamentos precisarão ser rompidos para quebrar a repetição.
Então os plebeus pensaram organizar uma espécie de greve geral: deixaram de fazer trabalho nos campos, nas oficinas ou no exército. Instalaram uma espécie de grande campo plebeu a quatro ou cinco quilômetros a norte de Roma....
Em retumbante decisão no Fórum, com ampla participação popular, mas totalmente dirigida pelos tribunos e por seus asseclas, Coriolano é condenado ao exílio e banido de Roma. Os patrícios pouco podem fazer para impedi-lo e têm que se submeter.
Coriolano sai de Roma humilhado e vai para Âncio procurar Aufídio, seu principal rival na guerra contra os volscos, que já preparava outro exército para atacar Roma.